Com a mudança na RN 482, ainda vale a pena investir em energia solar?

Com a mudança na RN 482, ainda vale a pena investir em energia solar?


O assunto mais falado do momento, no setor de energia solar fotovoltaica é a mudança na RN 482 proposta pela ANEEL, que propõe uma taxação sobre a geração de energia distribuída. Já falamos aqui no blog sobre a implicação dessa mudança e hoje vamos responder a seguinte questão:

Caso seja aprovada esta mudança, ainda vale a pena investir em energia solar?


O preço pago por um sistema solar fotovoltaico de 2 kWp, um dos menores sistemas instalados nos dias atuais, é em torno de R$ 12 000,00. Esse sistema serve para abater uma conta de energia elétrica para o consumidor B1, da cidade, de cerca de R$ 213,15, considerando a tarifa atual praticada pela RGE, do Rio Grande do Sul.

Com as regras atuais da ANEEL, a pessoa que instala o seu sistema de geração distribuído de energia solar, paga somente o Custo de Disponibilidade por ter o contador da RGE na sua casa e o ICMS sobre a quantidade de energia que ele “puxar” da rede no período noturno ou em períodos onde o sol não é suficiente para gerar energia.

Considerando estes custos atuais, a economia média mensal dessa pessoa seria em torno de R$ 180,00. Gerando uma economia anual de cerca de R$ 2160,00. Ou seja, a nova conta de energia depois da instalação do sistema seria cerca de R$ 33,15. Vale salientar que em alguns casos esta conta até viria em valores menores. Neste cenário, temos um payback (retorno de investimento) de 5 anos e 7 meses.

A figura abaixo exemplifica as diferenças das alternativas propostas pela ANEEL para as mudanças na geração distribuída de energia. Atualmente estamos na alternativa 0, ou seja, por gerar energia de forma distribuída conseguimos compensar a Taxa de Distribuição (TUSD) e a Taxa de Energia (TE), sendo necessário apenas o pagamento do ICMS sob o TUSD e o Custo de Disponibilidade, como dito acima.

Diferentes alternativas de tributação a serem aplicadas caso aprovadas as mudanças. Fonte: Greener.

O proposto pela ANEEL é que as mudanças feitas na RN 482 sejam as mostradas na figura abaixo.

Mudanças propostas na minuta da RN 482 pela ANEEL. Fonte: Greener.

Ou seja, aqueles consumidores que já tem energia solar instalado nas suas casas, continuarão na alternativa 0 até 2030 e depois passarão para a alternativa 5. Então para aqueles que já possuem o sistema, até 2030 o seu sistema já estará pago com uma sobra de 4 anos e 5 meses.

Já aqueles que instalarem energia solar em suas casas a partir de 2020, depois que for aprovada a mudança, estarão expostos diretamente a alternativa 2, até 2030 e depois passarão para a alternativa 5.

Sendo assim, de 2020 a 2030 estes consumidores terão um acréscimo de 15% na sua conta, se comparada com os consumidores que já tem energia solar instalada atualmente, referentes ao pagamento da Taxa de Distribuição de Energia (TUSD). E depois de 2030 teriam um acréscimo de 40%, se comparado aos consumidores que tem energia solar atualmente.

Para estes que optarem por instalar no próximo ano, o tempo de retorno do investimento terá um acréscimo. Vamos usar o mesmo exemplo de antes e calcular qual seria o novo payback.

Usando o mesmo sistema de 2 kWp, de R$ 12 000,00, para a conta de luz de R$ 213,15 mensais, o novo desconto para o consumidor que se encaixaria na alternativa 2 seria cerca de R$ 135,00 mensais, ou R$ 1620,00 anuais. A nova conta de energia deste consumidor seria então de R$ 78,15. Neste novo cenário, o tempo de retorno do investimento seria de 7 anos e 4 meses.

Baseando-se nesta comparação, podemos perceber que mesmo assim o sistema estaria pago antes dos 10 anos (2020 até 2030), quando entraria em vigor a nova regra e todos os geradores distribuídos encaixariam-se na alternativa 5, perdendo assim uma parcela significativa de sua geração de energia.

Entretanto, mesmo o payback aumentando de 5 anos e 7 meses para 7 anos e 4 meses (um aumento de 24%), o investimento em energia solar continua sendo muito atrativo, visto que a vida útil dos painéis é de 25 anos e de qualquer forma depois dos 10 anos de instalação (em 2030) o consumidor ainda estaria economizando cerca de 47% de sua conta de energia elétrica.

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