GRUPO A: O QUE PAGAMOS E O QUE PODEMOS ECONOMIZAR COM ENERGIA SOLAR

GRUPO A: O QUE PAGAMOS E O QUE PODEMOS ECONOMIZAR COM ENERGIA SOLAR


Como vimos no artigo anterior, os consumidores do Grupo A utilizam altas tensões e por isso sua estrutura tarifária pode ser de três tipos principais, conforme a necessidade do cliente: Convencional, Horo-sazonal Verde e Horo-sazonal Azul. Cada uma delas tem as suas particularidades e se torna mais vantajosa dependendo do consumo e da demanda do cliente. Vamos nos aprofundar um pouco mais no que pagamos como Grupo A e como podemos economizar com energia solar. No último artigo dessa série estudaremos um caso prático, ilustrando o quão lucrativo pode ser usar a estrutura correta no seu negócio.


ESTRUTURA TARIFÁRIA CONVENCIONAL

Essa modalidade exige um contrato específico com a concessionária, onde é cobrado um único valor da Demanda Contratada, independentemente da hora do dia (ponta ou fora de ponta) ou período do ano (seco ou úmido). Podem participar os consumidores com demanda contratada inferior a 300 kW, do Grupo A – Subgrupos A3a, A4 ou AS.

Se o consumo do cliente for inferior a Demanda Contratada, será utilizada a potência contratada. Se o consumo for até 10% superior à Demanda Contratada, será utilizada a potência de consumo e se o limite de 10% for ultrapassado será cobrado um valor maior, chamado de potência de ultrapassagem, além da demanda contratada.


ESTRUTURA TARIFÁRIA HORO-SAZONAL VERDE

Essa modalidade exige um contrato específico com a concessionária, onde serão cobradas duas Demandas Contratadas (uma para o período seco e outra para o período úmido), independente da hora do dia (ponta ou fora de ponta). Podem participar as unidades consumidoras de Grupo A – Subgrupos A3a, A4 e AS.

No período seco as tarifas são mais caras que no período úmido. A potência de consumo será calculada considerando-se essas variações. Além disso se for consumido mais de 10% da Demanda Contratada será cobrado um adicional de ultrapassagem.

Lembrando que a demanda medida é a máxima verificada ao longo do mês, logo, se você deixar todos os aparelhos da casa ligados por 15 minutos você pagará a demanda como se eles tivessem permanecidos ligados o mês todo!


ESTRUTURA TARIFÁRIA HORO-SAZONAL AZUL

Essa modalidade exige um contrato específico com a concessionária, onde serão cobradas quatro Demandas Contratadas (horário de ponta no período seco; horário de ponta no período úmido; horário fora de ponta no período seco; horário fora de ponta no período úmido). Podem participar as unidades consumidoras de Grupo A – Subgrupos A3a, A4 e AS.

No período seco (maio a novembro) as tarifas são mais caras que no período úmido (dezembro a abril). A potência de consumo será calculada considerando-se essas variações. Além disso se for consumido mais de 10% da Demanda Contratada será cobrado um adicional de ultrapassagem.


ENERGIA REATIVA E FATOR DE POTÊNCIA

Além das tarifações convencionais, o Grupo A e B podem ter que pagar um Consumo de Energia Reativa Excedente (UFER) ou Demanda Reativa Excedente (UFDR). A fiscalização é feita pela distribuidora com equipamentos específicos de maneira obrigatória para o Grupo A e facultativa no Grupo B.

A taxação acontece porque a energia elétrica é composta de duas parcelas distintas: energia reativa e energia ativa. A energia ativa é responsável pela execução de tarefas, enquanto que a energia reativa é responsável pela formação de campos magnéticos, necessário ao funcionamento de aparelhos que possuem motores (freezer, geladeira, máquina de lavar, sistemas de climatização, etc) ou indutores (reator eletromagnético das lâmpadas fluorescentes, por exemplo).

Devido a existência desses dois tipos de cargas, surge o fator de potência, representando a relação entre elas. O fator de potência exigido para os consumidores é 0,92 (capacitivo ou indutivo). Quando o fator for inferior a isso, será cobrado uma taxa de UFER e UFDR. Assim, quando houverem muitos motores ou indutores no estabelecimento e eles forem ligados juntos, pode haver um Consumo Excedente de Energia Reativa, desde que a concessionária esteja medindo. Para solucionar esse problema, utilizam-se bancos de capacitores próximos aos motores de maior potência, evitando o excesso de energia reativa.

O cálculo a ser efetuado nesses casos é o seguinte:

*Onde E.R significa Energia Reativa e D.R – Demanda Reativa.


QUAIS AS PARCELAS DA CONTA EU POSSO ECONOMIZAR COM ENERGIA SOLAR?

Poderemos abater a quantidade de kWh que consumimos em qualquer uma das condições: na ponta, fora de ponta, úmido e seco. Em cada um dos casos haverá um valor diferente de kWh.

Nas empresas com Estrutura de Tarifação Convencional, deve-se esperar acabar o contrato atual e então projetar o sistema de geração fotovoltaica para abater o consumo no período fora de ponta. O consumo no período de ponta precisa ser avaliado, uma vez que em alguns casos é necessário produzir três kWh de energia para abater apenas um kWh do período de ponta, encarecendo assim a inclusão dessa parcela no projeto.

O cálculo para determinar quanta energia a mais precisamos produzir a mais no período fora de ponta é dada pela equação abaixo, onde consideramos o custo do kWh no momento em que injetamos na rede e o custo do kWh no momento de ponta, que queremos abater:

Esse Fator de compensação será multiplicado pelo consumo no período de ponta, para descobrirmos a potência que o sistema deve produzir fora de ponta para compensar o período de ponta. Por exemplo, se consumimos 1000 kWh na ponta e o fator deu 1,5 precisamos multiplicar 1000 x 1,5. Portanto devemos gerar 1500 kWh fora de ponta para abater 1000 kWh na ponta.

As empresas com Estrutura de Tarifação Horo-Sazonal Verde ou Azul podem gerar sua energia e abater seguramente a demanda fora de ponta, desde que para isso tenham a Demanda Contratada para a potência de geração. Por exemplo: Em uma ervateira a Demanda Contratada é de 400 kW e o consumo fora de ponta é de 68000 kWh. Para produzir toda essa energia precisamos de um sistema de geração com 640 kWp, logo teremos que aumentar a demanda contratada para cobrir esse valor.

Quando você produz sua energia, cada kWh gerado tem o mesmo valor do cobrado pela concessionária. Assim se a tarifação for amarela ou vermelha estaremos imunes, uma vez que um kWh consumido se iguala ao produzido. Além disso, quanto maior o valor cobrado pelo kWhmenor será o tempo de retorno do investimento.

Vale lembrar também que a potência de geração do sistema deve ser inferior a soma total dos transformadores. Por exemplo, na minha indústria necessito um sistema de geração de 300 kW e meu transformador é de 220 kVA. Nesse caso a potência máxima na saída dos inversores é descoberta multiplicando-se os 220 por um fator de segurança:

Potência máxima que pode ser gerada: 220 x 0,92 = 202,4 kW

Dessa forma, para aumentar a capacidade necessitamos aumentar o transformador e seus componentes de proteção, o que encarece em muitos casos. Nesse tipo de situação, o gestor deve analisar qual o melhor sistema levando em conta a taxa interna de retorno (TIR) do investimento.

Temos também a opção de colocar a fatura de energia de vários imóveis no mesmo CPF ou CNPJ de matriz e filial. O requisito fundamental para isso é que todas devem ser da mesma concessionária. Para isso teremos um relógio medidor de consumo para cada imóvel, salvo quando dois imóveis estão na mesma escritura do terreno (nesse caso pode-se usar apenas um relógio medidor de energia e diminuir o custo de disponibilidade do outro).

Agora que já está claro como podemos economizar instalando um sistema de geração de energia solar, que tal conferir quais são as melhores formas de aquisição? Veja mais no artigo: A VISTA, A PRAZO OU FINANCIAMENTO DE ENERGIA SOLAR?

Deixe um comentário